Aparências
Augusta Schimidt

Duas árvores plantadas
Pela mesma mão que semeou o chão
Beberam da mesma água
Cresceram na mesma terra

Uma de rara beleza
Frondosa e encorpada
Oferecia sombra apenas
A quem vinha pela estrada

A outra pobre coitada
Nanica e desfolhada
Para nada servia
Na beira da estrada

O tempo passa lento
Mas chegou a temporada
E a bela e frondosa árvore
Não deu nada.

Ao contrario a nanica
Abastada de jabuticabas
Era a alegria
De quem por ali passava.

Já não servindo pra nada
A bela árvore acabou sendo cortada
E a outra, a abastada,
Lá estava,
Esperando a nova florada.

Às vezes na vida
Não reconhecemos a utilidade da sombra
Cortamos a árvore errada
Mais tarde é que percebemos
A nossa visão errada
Aí então a gente chora
Por não poder fazer mais nada.

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